segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Acordou com a luz do sol passando pela cortina, seu corpo ainda ardia por conta do calor que passara no dia anterior, e por um segundo não sabia onde estava, coçou os olhos e então lembrou da noite anterior, sua cama estava bagunçada e o cheiro do que havia feito pairava no ar, era uma mistura de cigarro com perfume barato.
Olhou para o chão e percebeu que havia latinhas de cerveja por todo canto, ignorou a bagunça e respirou fundo, pegou um cigarro acendeu-o e, com uma longa tragada, pensou na pessoa que avistou andando na orla da praia, lembrou como o sol brincava com sua pele, como era estranho lembrar de alguém que nem conhecia.
Sabia que jamais veria tal sujeito novamente, mas conseguia imaginar a vida com aquele ser, uma utopia que sua mente criava quando se sentia sozinho e desamparado.
Seu cigarro estava pela metade e ele ainda pensava na imagem especular daquela personagem de filme, mas por uma fração de segundo, um pensamento que nem pensou e que costumava fazer com alguma frequência, que era ignorar verdades dolorosas a seu respeito, algo que ele aprendera a velar com o passar dos anos, uma sensação de que não podia se relacionar com o resto do mundo por conta de sua rotina - rotina forçada por achar que não merece ninguém - era por deveras complicada e cheia de altos e baixos, suas noites de puro sexo eram seu prazer efêmero, fingindo uma completude que não sabia se realmente existia ou se era tesão, apenas tinha certeza de que, pelo menos naquele momento era o que desejava, mesmo sabendo que nada restaria no dia seguinte, apenas seu cigarro e o cheiro de perfume barato.